segunda-feira, agosto 11, 2008

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«Com que argumento condenou a Rússia a ocupação do Iraque e agora bombardeia a Geórgia?
Com que argumento condena George Bush a invasão da Geórgia quando ocupou o Iraque?
Com que argumento se condena a intervenção da Rússia por “razões humanitárias” e se apoiou a intervenção no Kosovo?
Com que argumento se condenam os independentistas da Ossétia do Sul e da Abkházia e se apoiam os independentistas do Kosovo?
Com que argumento a Rússia apoia os independentistas da Ossétia e massacra os independentistas da Tchéthénia?Que autoridade tem a Rússia para falar de razões humanitárias depois de ter feito o que fez na Tchétchénia?
Que autoridade têm os Estados Unidos para falar em soberania quando são os campeões da violação da soberania de terceiros?
O resumo é simples: os Impérios pensam e agem como Impérios. No meio usam argumentos morais, políticos e jurídicos. Quase nunca valem nada. As razões são sempre as mesmas: as do mais forte. O Império está acima da razão. Seja qual for o Império.»
Daniel Oliveira in Arrastão

sexta-feira, agosto 08, 2008

Realolympic

Às 8 horas e 8 minutos do dia 8 do oitavo mês do ano de 2008, ocorreu a cerimónia de abertura dos XXIX Jogos Olímpicos. Independentemente da grandiosidade ou não da cerimónia, do maior ou menor número de medalhados, de ocorrerem ou não atentados terroristas, estes Jogos Olímpicos ficarão para a história como o momento em que o mundo se deixou prostituir a troco de um punhado de dólares.
A poucos meses da cerimónia de abertura, durante o percurso da chama olímpica, teve-se a primeira demonstração pública e mediática do que é o sistema político da China. Por essa altura, uma violenta repressão ocorreu no Tibete, não antes de todos os repórteres e estrangeiros terem sido expulsos do país ocupado. De repente, descobriu-se que a China bloqueia o acesso a determinados sítios da internet restringindo a liberdade de expressão. De repente, a comunicação social lembrou-se que a República Popular da China é uma ditadura; que não respeita os direitos humanos; que invadiu e permanece ocupante do Tibete; que vende armas aos mais criminosos regimes deste mundo; que usa a sua posição como membro permanente do conselho de segurança da ONU para proteger governos hediondos; etc.
Mas a China é muito mais do que isto. A china é o terceiro maior país do mundo, o mais populoso, uma superpotência militar e política e a quarta maior economia do planeta. Por tudo isto, e muito mais, recorre-se à Realpolitik e ignora-se tudo o resto. Assim o fez José Sócrates ao apertar a mão a Kadafi, ao elogiar o “trabalho notável” do governo de Angola, ou ao trocar umas palmadinhas nas costas com Hugo Chávez. Perante a possibilidade de um negócio chorudo interessará tudo o resto? O Comité Olímpico Internacional e as grandes potências mundiais, acham que não. Vejam-se os líderes mundiais presentes na cerimónia de abertura.
O nível de cegueira auto-induzida é tanta que, há cerca de uma Semana, o COI emitiu um comunicado em que pedia desculpa à comunicação social estrangeira em Perquim. Por haver censura na China? Não! Pediam desculpa porque poderiam ter induzido em erro, ao longo destes meses, aqueles que acreditavam que a China seria mais tolerante durante o período dos JO.
Fascina-me o argumento de que os Jogos Olímpicos são um evento desportivo e não se deverão imiscuir com a política. Mas há algum assunto da nossa vida em que a política não tenha nada a ver? E os Jogos Olímpicos de Berlim, Melbourne, Munique, Moscovo, Los Angeles, ou a resolução 1761 da Assembleia-Geral da ONU? Não foram tudo motivos políticos?
Não defendo um boicote aos JO de Pequim. Tal como não defendo um corte de relações diplomáticas com a China, nem um bloqueio à importação de produtos chineses. Defendo sim, que não se esqueça o que a China é, e o que pode vir a ser. Defendo que não se troquem direitos humanos por dinheiro, nem que se seja hipócrita por uns dias, só porque convém. Sejamos sérios.
A China é demasiado importante para se ofender, mas demasiado suja para se beijar. Assim, estende-se a mão e finge-se não olhar para a sujidade. Cumprimenta-se e saúda-se o anfitrião mas sem se curvar muito. Ignora-se tudo o resto se houver a possibilidade de um bom negócio. Se pensarmos bem, é mais ou menos assim que funciona a prostituição.

A culpa é do Manuel Subtil

À parte dos reféns e tal, que é sempre uma situação chata e espero que não se repita, acho muito bem que assaltem bancos.
Gatunagem, malandragem, gandulos em geral: em vez de andarem a assaltar velhinhas, operários mal pagos, criancinhas e povinho em geral, vão mas é assaltar bancos! Com os lucros que os bancos têm, eles não se importam.

quinta-feira, agosto 07, 2008

Pensamentos I

A inspiração para escrever um texto sobre qualquer coisa é como a vontade de fazer cocó: ou se tem ou não se tem.

terça-feira, julho 22, 2008

A barba está na moda e ninguém me avisou?

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Francisco José Viegas in A Origem das Espécies

« Multiculturalismo.
Passados alguns dias sobre o episódio da Quinta da Fonte, convém relembrar – para lá da pedagogia do multiculturalismo que está agora a fazer-se pelas ruas – que: 1) foram feitos disparos no meio da rua, segundo imagens transmitidas pelas televisões; 2) as reportagens incluiram abundantes provas de posse ilegal de armas, prática e incitamento à prática de racismo, sem falar de suspeitas sobre tráfico de droga; 3) não se compreende que não tenham sido investigados eventuais abusos em relação ao rendimento mínimo garantido e à recusa em pagar 4,5€ de renda de casa; 4) a questão, aqui, não tem a ver com o multiculturalismo mas com questões básicas de segurança e de cumprimento da lei.

O argumento multicultural tem servido para manter grupos numerosos de imigrantes legais e ilegais em guetos inqualificáveis, onde não há lei, não há segurança e – portanto – não há Estado nem República. Aí, onde a autoridade do Estado se ausenta, nasce a lei da terra de ninguém, ou seja, a de quem tem mais e melhores armas e de quem consegue impor a sua vontade pela violência e pela intimidação. As vítimas não são as comunidades mas sim pessoas que não conseguem viver em paz, que não deixam os filhos sair à rua com medo de cairem nas cadeias de tráfico de droga e que não podem queixar-se à polícia. Isto explicar-se-ia mais facilmente se os teóricos do multiculturalismo andassem mais de transportes públicos e passassem umas noites nas ruas da Quinta da Fonte ou no Casal de São Brás.

Depois, não compreendo o argumento do respeito pelas suas «tradições, culturas e formas de ser diferentes». Nada a ver com isto. Agredir mulheres no meio da rua ou fazer disparos com armas de fogo não tem a ver com «tradições, culturas e formas de ser diferentes». Para mim, são portugueses. Devem ser vistos como portugueses. A começar por cumprirem a lei.»

Não podia concordar mais.