quarta-feira, abril 16, 2008

Saudaciones Rosé Luíz

Mulheres em maioria no governo. Uma Ministra grávida à frente da pasta da Defesa. Ministras Jovens, duas na casa dos 30. Da sua competência, o tempo e os eleitores, a avaliarão. Quanto ao gesto em si, excelente! O governo a dar o exemplo. De Espanha nem bons ventos nem bons casamentos, mas se isto não é uma esquerda moderna, com visão para a coisa política, vou ali comprar caramelos e já venho.

Sobre esta palhaçada toda

da visita do Senhor Silva à Madeira, eu não queria ser o gajo que está sempre a dizer “ eu bem avisei.”. Mas a verdade é que eu bem avisei. O Senhor silva é um presidente em formato Excel e não tem uma espinha dorsal democrática que lhe permita levantar a voz perante o soba Madeirense. Não fazia mais do que a sua obrigação.
Não quero ser como Santana Lopes e ficar com uma dor de corno com 4 anos por causa do Manuel Alegre não ter sido eleito, mas a verdade é que esse, não tendo nada a ver com o assunto directamente, ainda levantou a voz contra o prepotência do líder da FLAMA, perdão, da Madeira.

terça-feira, abril 15, 2008

Quem o diz é quem o é

«Ganhou Berlusconni! E agora? Como vão explicar esta vitória os teóricos do politicamente correcto? Berlusconni ganhou!Berlusconni venceu! Como explicar? Será que o Povo de Itália não recebe a RTP e a SIC Internacionais? Verdade seja dita que alguns dos nossos comentadores não são os únicos membros desse grupo do politicamente correcto...Ele há mais como eles. Ganhou mais um populista, demagogo, direitista...Como será possível? Não existirão lá comentadores esclarecidos? Aqui há um ano, ou menos, em Itália, e sobre Itália, dizia- se que não havia alternativa de direita. Pois lá está, outra vez. Como devem ficar confusos. Acima de tudo, há que felicitar Silvio Berlusconni pela sua enorme capacidade de resistir, de acreditar, de ultrapassar obstáculos, de lutar, de ressurgir das derrotas, de vencer os seus adversários, de calar tanto detractor. Merece, e merece a Itália antes do mais, que esta governação tenha sucesso. Postado por PedroSantanaLopes às 23:26»

O precariado contra ataca!

segunda-feira, abril 14, 2008

Pensava eu que, pela primeira vez na vida, concordava

Ainda não é desta que concordo com ele.

Subscrevo tudo


(...ler mais)»

Mário Crespo in JN

Odeio

o Malato, os risos alarves do Malato, o programa do Malato, a pera do Malato, os convidados do Malato, a banda do Malato, a mesa do Malato, o sofá do Malato, as reportagens estúpidas do Malato, a plateia do Malato – que é o único sítio do país onde os alunos das “carolinas Michaelis” deste país se sentam lado a lado com as Adufeiras de Monsanto vestidas a rigor para irem à capital – odeio a distância a que as câmaras estão do Malato, odeio o estúdio do Malato, odeio o pseudo piada inicial, odeio as perguntas do Malato, odeio como se explora a lágrima fácil no programa do Malato, odeio os convidados musicais do Malato, odeio a ideia de que as velhas gostam todas do Malato, odeio o logótipo do “Sexta à noite” do Malato, odeio o nome do programa do Malato, odeio aquela lua com o nome do programa a rodar no canto inferior esquerdo do programa do Malato, odeio o plasma que está atrás do Malato, odeio o cenário do Malato, odeio o nome Malato, odeio a cara de parvo do Malato, e odeio o Malato em si. Já tinha dito isto?
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domingo, abril 06, 2008

Fucking Hell

Mais 5 minutos e vomitava. Ficou aquém das expectativas. Boa encenação, música fraquinha e uma dose excessiva de declamação que me fez bocejar. Estava à espera de muito mais. Além de que vou ter pesadelos nos próximos dias.
"Sinto-me sujo, roído pelos piolhos, e os porcos quando olham para mim, vomitam."
MALDOROR
«Na Paris sitiada de 1870 e em vésperas do levantamento da Comuna morre aos 24 anos o desconhecido Isidore Ducasse. No entanto este misterioso “homem de letras” deixava atrás de si um formidável empreendimento de demolição de que o romantismo envelhecido e o Segundo Império à beira do desastre não seriam as únicas vítimas. Os seus “Os Cantos de Maldoror”, impressos no ano anterior sob o pseudónimo de O Conde de Lautréamont, não poupam nenhuma autoridade nem nenhum dogma.
os cantos de maldoror
Sob a aparência de um herói do Mal, negativo dos heróis românticos então em voga, Maldoror é a personagem central da narrativa estruturada em Cantos à maneira das epopeias clássicas. Mas Maldoror é muito mais que um herói do Mal, é sobretudo um combatente da liberdade que nos revela as consequências de uma dupla alienação: enquanto a interiorização dos interditos morais e religiosos nos confisca os desejos, as marcas de uma linguagem imobilizada contrariam-nos a livre expressão.
Se a primeira alienação ganha denúncia no combate encarniçado de Maldoror contra o Criador e a religião e na natureza obsessivamente erótica dos seus crimes, relembrando a animalidade e a agressividade que a Igreja associa à sexualidade, já a segunda é exposta pela recorrência a artifícios literários, da interpelação do leitor à confusão entre narrador e personagem, da ausência de linearidade narrativa à constante sobreposição de formas literárias, como se ao combate encarniçado contra o Criador correspondesse estranhamente uma luta da escrita contra uma censura latente. Apesar disso, o texto não perde balanço, antes, como uma espiral ou um turbilhão, ganha um movimento rodopiante, de reposição e de renovação, de repetição e de modulação, com novos enredos sempre a arrancarem para logo abortarem, com constantes intromissões e divagações a impedirem a narração de avançar, não abordando novos relatos senão para voltar a tropeçar no mesmo episódio indizível, deixando entrever o que se segue para melhor o ocultar, tal um segredo que se quer contar mas não se consegue, criando assim uma tensão que vai alimentar toda a obra, que dá a impressão de gravitar à volta de um centro sempre fugidio.
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A partir de “Os Cantos de Maldoror”, a obra-prima literária que Isidore Ducasse, sob o pseudónimo de Conde de Lautréamont, deu à estampa nos finais do séc. XIX, os Mão Morta, com os dedos de alguns cúmplices, estruturaram um espectáculo singular onde a música brinca com o teatro, o vídeo e a declamação. Aí se sucedem as vozes do herói Maldoror e do narrador Lautréamont, algumas imagens privilegiadas das muitas que povoam o livro, sem necessidade de um epílogo ou de uma linearidade narrativa, ao ritmo da fantasia infantil – o palco é o quarto de brinquedos, o espaço onde a criança brinca, onde cria e encarna personagens e histórias dando livre curso à imaginação.
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Em similitude com a técnica narrativa presente nos Cantos, a criança mistura em si as vozes de autor, narrador e personagem, criando, interpretando e fazendo interpretar aos brinquedos/artefactos que manipula as visões e as histórias retiradas das páginas de Isidore Ducasse, dando-lhes tridimensionalidade e visibilidade plástica. O espectáculo é constituído pelo conjunto desses quadros/excertos, que se sucedem como canções mas encadeados uns nos outros, recorrendo à manipulação vídeo e à representação. Como um mergulho no mundo terrível de Maldoror, povoado de caudas de peixe voadoras, de polvos alados, de homens com cabeça de pelicano, de cisnes carregando bigornas, de acoplamentos horrorosos, de naufrágios, de violações, de combates sem tréguas… Sai-se deste mundo por uma intervenção exterior, como quem acorda no meio de um pesadelo, como a criança que é chamada para o jantar a meio da brincadeira – sem epílogo, sem conclusão, sem continuação!»