"Bem-aventurado aquele que lê e bem-aventurados os que ouvem as palavras desta profecia e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo." REV 1:3
quarta-feira, janeiro 23, 2008
segunda-feira, janeiro 21, 2008
«Em entrevista à Antena 1
Manuel Alegre alerta para "erro colossal" da política de Saúde do Governo
"As pessoas vão passar a nascer em casa ou a morrer em casa, para além daqueles que já andam a nascer pelo caminho", ironizou, ao abordar numa entrevista à jornalista Flor Pedroso, da Antena 1 - a desertificação dos serviços públicos no interior.
Manuel Alegre confirmou que vai assinar uma petição em defesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS), liderada pelo histórico do PS, António Arnaut, e que junta, entre outros, elementos do Bloco de Esquerda e do PCP. "A esquerda moderna deve reforçar o Estado social e não desmantelar o Estado social", declarou, sublinhando que, no poder, esta deveria garantir o reforço e viabilidade do SNS. "Estaria a mentir se dissesse que me reconheço (no actual Governo). Não, não me reconheço", afirmou.
"Parece que é isto que se está a fazer (desmantelar)", disse, acrescentando "não compreender esta política, não só das taxas moderadoras para tratamentos e cirurgias (uma dupla tributação), como a extinção de urgências e de Serviços de Atendimento Permanente e o encerramento de maternidades em zonas do interior, seja qual for a fundamentação técnica". "Isso é um erro colossal, porque as pessoas se sentem desprotegidas e abandonadas pelo Estado, sobretudo em regiões do país onde não há mais nada", declarou.
"Se tiram os serviços públicos do interior, as pessoas sentem-se abandonadas e desprotegidas, não foram criadas alternativas, as coisas não foram explicadas e é tudo feito por atacado", afirmou.
Alegre defendeu que estas medidas estão a "criar uma revolta muito grande" na população, porque os portugueses precisam de um "bom Serviço nacional de Saúde". "Eu já avisei que isto é perigoso", salientou, lembrando que até Jerónimo de Sousa foi "levado em ombros" na Anadia. "Se aparece uma Maria da Fonte, de saias ou de calças, arranja uma fronda popular, e isso pode pôr em causa um certo consenso nacional sobre a própria democracia", sublinhou.
Política de saúde "estapafúrdia"
"As condições de vida das pessoas não melhoraram" no interior e de repente tiram-lhes os serviços de saúde. As pessoas ficam aflitas", disse, sublinhando que isso "desgraça" a base social do PS e a confiança na democracia. Apesar do ministro da Saúde, Correia de Campos, ter sido seu colega em Coimbra e ser seu amigo, Alegre considerou que a sua política é "estapafúrdia".
Alegre reconheceu que o "Governo tem legitimidade democrática, porque ganhou com maioria absoluta", mas considerou que "os portugueses não se dão bem com as maiorias absolutas, sobretudo aqueles que governam e perdem um bocado a cabeça com as maiorias absolutas", sublinhou.
Inquirido sobre se se revia na prática do PS, afirmou que este partido "não o representa totalmente".
Alegre assume-se como uma das "referências" do seu partido, porque teve com ele socialistas de todo o lado na eleição presidencial e diz que "fracturou e muito" o eleitorado do Partido Socialista nessa contenda eleitoral.
Questionado novamente sobre se se revia na prática governativa do PS, respondeu: "Acho que não. Representa numas coisas e noutras não representa", esclareceu, destacando pela negativa "a destruição do Serviço nacional de Saúde", área onde diz que o Governo "não o representa com certeza".
"Mas houve coisas boas e que ficam", afirmou, destacando a interrupção voluntária da gravidez (IVG), a Lei da Paridade, e a Procriação Médica Assistida.
Alegre destacou também a forma como foi exercida a presidência portuguesa da União europeia, nomeadamente a realização das cimeiras da UE com o Brasil e com África, e a assinatura do Tratado de Lisboa, apesar de ter herdado o trabalho da Alemanha, o que conferiu a Portugal um desempenho global mesmo sendo um país pequeno.
O deputado socialista, que esteve ausente esta semana do Parlamento por razões de saúde, disse na longa entrevista à Antena 1 que teria "votado contra" a moção de censura ao Governo.
Alegre disse ser favorável ao referendo ao Tratado de Lisboa, mas reconheceu que essa forma de ratificação seria provavelmente "muito difícil".
O deputado socialista realçou a questão do "respeito pela palavra dada" e disse que se houvesse referendo isso teria sido "uma lição para os dirigentes europeus que tem medo de consultar os seus povos". "Há uma crise profunda", reconheceu, referindo-se ao socialismo na Europa.
"Sócrates fez coisas que outros socialistas não foram capazes de fazer", disse referindo-se aos aspectos positivos da acção do governo que mostram "independência" em relação ao conservadorismo da sociedade portuguesa e a uma abertura sobre certos valores da esquerda, só que para Alegre, "a esquerda não acaba aí".»
Público.pt, 19-01-2008 in M!C
Oiça aqui a entrevista à Antena 1
domingo, janeiro 20, 2008
quinta-feira, janeiro 10, 2008
Imagens exclusivas do conselho de ministros
, onde se tomou a decisão de construir o novo aeroporto em Alcochete.
Eu sou pró-Ota. O que faz de mim, pelos vistos, um Otário.
Eu sou pró-Ota. O que faz de mim, pelos vistos, um Otário.
sábado, dezembro 29, 2007
terça-feira, dezembro 25, 2007
E quando tudo estava a correr mal
aparece mais qualquer coisinha que torna tudo ainda pior. "A coisa aqui 'tá preta... "
Chico Buarque/ Francis Hime - "Meu caro amigo"
segunda-feira, dezembro 17, 2007
THE KILLERS - Don't Shoot Me Santa
Brandon:
Oh Noel
Eu estava esperando por você
Noel:
Isso é engraçado, garoto
Porque eu estava vindo por você
Brandon:
Oh Noel
Eu tenho matado por diversão
Noel:
Bem, a festa acabou, garoto
Porque eu
Porque eu tenho uma bala na minha arma
Brandon:
Uma bala na sua o que?
Não atire em mim, Papai Noel
Eu tenho sido um bom garoto
Eu prometo a você
Fiz tudinho que você me pediu
Eu não posso acreditar em tudo que venho sofrendo
Não atire em mim, Papai Noel
Ninguem mais por aqui acredita em mim
Mas as crianças do bairro, elas me provocam
Eu não podia deixa-los escapar tão facilmente
Brandon:
Oh Noel
Tem sido um ano tão difícil
Noel:
Num tem como escapar dessa situação
A vida é dura
Mas olhe para mim
Eu me virei bem
Brandon:
Hey Noel
Porque nós não conversamos sobre isso?
Para resolver esse problema
Noel:
Acredite em mim
Num era isso que eu queria
Eu amo todas as crianças, você sabe disso
Que inferno, eu lembro quando você tinha só 10 anos
Brincando lá no deserto
Esperando por um gole da doce chuva de Mojave
Brandon:
Na doce chuva de Mojave
O garoto tinha que se virar sozinho
Não atire em mim, Papai Noel
Eu tenho sido um bom garoto
Eu prometo a você
Fiz tudinho que você me pediu
Eu não posso acreditar em tudo que venho sofrendo
Hey Papai Noel
Ninguem mais por aqui acredita em mim
Mas as crianças do bairro, elas me provocam
Eu não podia deixa-los escapar tão facilmente
Eles mereceram
Porque você não consegue ver?
Eu não poderia continuar aceitando aquilo
O sol está se pondo e o Natal está perto
Só olhe pra outro lado e eu desaparecerei para sempre
Woo!
Não atire em mim, Papi Noel
Ninguem mais por aqui acredita em mim
Mas as crianças do bairro, elas me provocam
Eu não podia deixa-los escapar tão facilmente
Acredite em mim
Noel
Noel
domingo, setembro 30, 2007
Dias úteis
O sr. Viegas é o gentil personagem que me vende o jornal todos os dias. Todos os dias não será, porque a sua gentileza faz com que ao aproximar-me do seu quiosque - e enquanto ele mata o tempo a deambular pelos canteiros aí existentes - tenha a amabilidade de me avisar mal me aproximo: “Já não tenho o Público.”
Eu agradeço a amabilidade para evitar que ande 10 metros desnecessários e volto para trás. Quando quer conversa, nada me diz. Atrai-me para a sua armadilha – o interior do quiosque, claro – e só então me informa que o jornal já esgotou. E é nessa altura que ataca com uma qualquer banalidade:
- Isto realmente! Já viu quanto ganha o gajo das finanças? Não há-de o país estar mal. Geralmente dou dois dedos de conversa para me mostrar educado. Gentil como é, o Sr. Viegas não insiste. Percebe que não tenho tempo e que a conversa também não tem muito assunto e fica-se por aí. Por vezes, quando lhe sinto a solidão por detrás dos seus jornais e revistas, finjo ler os títulos das revistas de impressa cor-de-rosa enquanto espero pelo troco, o que permite trocar umas banalidades e que só serve para prolongar o breve momento de companhia. Talvez ainda nesse sentido, todos os dias, quando entrego um euro para pagar 90 cêntimos, pergunta-me pondo a sua cara de velhote distraído: ”ora, quanto é o jornal? Quanto é que tenho que lhe dar…”. Eu, não querendo ofender o meu fornecedor de informação diária, finjo procurar nervosamente pelo preço do jornal e afavelmente digo-lhe sempre “ ora…isto é... 90 cêntimos…está aqui, olhe. Pois então só me deve 10 cêntimos”. Nessa altura, a moeda já se estende na mão vivida do Sr. Viegas para calmamente me dar o troco. Tanto eu como ele sabemos o preço do jornal, mas já faz parte do ritual a incógnita do preço, o troco, o boa tarde, o até amanhã.
É um personagem no mais bonito sentido da palavra, claro. O bigode que contorna o lábio superior, finamente desenhado e, presumo eu, diariamente aparado, lembra-nos aqueles senhores educados de outros tempos, aqueles seres que perguntam “a menina dança?”. Mantém o seu cabelo cuidadosamente penteado para trás, como manda a moda de há muitos anos, contudo um pouco comprido demais de acordo com os ditames da época que eu lhe atribuo. Aí, o gentleman do bairro dá um ar mais rebelde, menos certinho, que só faz com que apreciemos mais a figura. Para isso contribui também o seu colete com muitos bolsos, cheios de coisas que todos os dias deve vestir como que o seu uniforme de trabalho. Farense como é, possui aquele sotaque que só quem conhece pode compreender. O sotaque farense (e também dos arredores, Olhão, Quarteira, etc..) é pródigo em brutalidade. As frases são arrematadas com violência e exaltação, as perguntas parecem exclamações e as exclamações parecem perguntas retóricas. Quem por aqui passar desprevenido, pensará que são todos arrogantes, brutos, como que filhos únicos mimados para quem o mundo existe só para eles. Nada disso. É só forma, o conteúdo é igual ao de qualquer outro lusitano.
O bairro conhece-o, eu conheço-o, e no fundo nada sei sobre ele, sobre o que pensa, sobre quem é. Hoje decidi ficar e explorar. Confesso que os meus afazeres deram-me pouca vontade de sair dali e portanto segui o ritual como manda o protocolo, e quando veio a pergunta da actualidade, respondi, e fiquei. O próprio Sr. Viegas por dois ou três segundos deixou de olhar para a sua banca, olhou para mim, eu senti que ele não estava à espera do meu troco. Ele percebeu que eu ia ficar, respondeu, eu retorqui, ele esgrimiu uns argumentos, eu concordei em parte, ele não concordou com essa parte, veio um dos seu outros clientes diários – à procura do novo vinho tinto da revista de vinhos – ficou, conversámos, fomos ver que vinho era.
- Estremadura? Hum…Eu gosto mais dos alentejanos - disse já um outro comparsa que entretanto tinha se tinha juntado à conversa.
- Olhe que isto é bom! Acha que eles iam vender vinhos maus? - defendeu-se o Sr. Viegas um bocadinho ofendido com a afirmação feita num sotaque farense perfeito.
A conversa ainda foi para o grau, a casta, a quinta , o preço, a embalagem, o tempo.
Foi aí que tive um dos mais bonitos e prazenteiros momentos dos últimos tempos da minha vida. Dei por mim dentro de um desarrumado quiosque, com três reformados, a falar de política e vinhos. Os ponteiros do relógio nunca param e eu tinha que ir.
- Boa tarde, até amanhã. - disse eu escapulindo-me pelo meio das cascatas de jornais penduradas no alpendre.
- Até amanhã! - Exclamaram os meus novos amigos.
Ainda mantenho o sorriso de prazer com que de lá saí.
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