segunda-feira, dezembro 17, 2007

THE KILLERS - Don't Shoot Me Santa



Brandon:
Oh Noel
Eu estava esperando por você
Noel:
Isso é engraçado, garoto
Porque eu estava vindo por você
Brandon:
Oh Noel
Eu tenho matado por diversão
Noel:
Bem, a festa acabou, garoto
Porque eu
Porque eu tenho uma bala na minha arma
Brandon:
Uma bala na sua o que?


Não atire em mim, Papai Noel
Eu tenho sido um bom garoto
Eu prometo a você
Fiz tudinho que você me pediu
Eu não posso acreditar em tudo que venho sofrendo

Não atire em mim, Papai Noel
Ninguem mais por aqui acredita em mim
Mas as crianças do bairro, elas me provocam
Eu não podia deixa-los escapar tão facilmente


Brandon:
Oh Noel
Tem sido um ano tão difícil
Noel:
Num tem como escapar dessa situação
A vida é dura
Mas olhe para mim
Eu me virei bem
Brandon:
Hey Noel
Porque nós não conversamos sobre isso?
Para resolver esse problema
Noel:
Acredite em mim
Num era isso que eu queria
Eu amo todas as crianças, você sabe disso
Que inferno, eu lembro quando você tinha só 10 anos
Brincando lá no deserto
Esperando por um gole da doce chuva de Mojave
Brandon:
Na doce chuva de Mojave
O garoto tinha que se virar sozinho


Não atire em mim, Papai Noel
Eu tenho sido um bom garoto
Eu prometo a você
Fiz tudinho que você me pediu
Eu não posso acreditar em tudo que venho sofrendo

Hey Papai Noel
Ninguem mais por aqui acredita em mim
Mas as crianças do bairro, elas me provocam
Eu não podia deixa-los escapar tão facilmente

Eles mereceram
Porque você não consegue ver?
Eu não poderia continuar aceitando aquilo
O sol está se pondo e o Natal está perto
Só olhe pra outro lado e eu desaparecerei para sempre

Woo!

Não atire em mim, Papi Noel
Ninguem mais por aqui acredita em mim
Mas as crianças do bairro, elas me provocam
Eu não podia deixa-los escapar tão facilmente

Acredite em mim
Noel
Noel

domingo, setembro 30, 2007

Dias úteis


O sr. Viegas é o gentil personagem que me vende o jornal todos os dias. Todos os dias não será, porque a sua gentileza faz com que ao aproximar-me do seu quiosque - e enquanto ele mata o tempo a deambular pelos canteiros aí existentes - tenha a amabilidade de me avisar mal me aproximo: “Já não tenho o Público.”
Eu agradeço a amabilidade para evitar que ande 10 metros desnecessários e volto para trás. Quando quer conversa, nada me diz. Atrai-me para a sua armadilha – o interior do quiosque, claro – e só então me informa que o jornal já esgotou. E é nessa altura que ataca com uma qualquer banalidade:
- Isto realmente! Já viu quanto ganha o gajo das finanças? Não há-de o país estar mal. Geralmente dou dois dedos de conversa para me mostrar educado. Gentil como é, o Sr. Viegas não insiste. Percebe que não tenho tempo e que a conversa também não tem muito assunto e fica-se por aí. Por vezes, quando lhe sinto a solidão por detrás dos seus jornais e revistas, finjo ler os títulos das revistas de impressa cor-de-rosa enquanto espero pelo troco, o que permite trocar umas banalidades e que só serve para prolongar o breve momento de companhia. Talvez ainda nesse sentido, todos os dias, quando entrego um euro para pagar 90 cêntimos, pergunta-me pondo a sua cara de velhote distraído: ”ora, quanto é o jornal? Quanto é que tenho que lhe dar…”. Eu, não querendo ofender o meu fornecedor de informação diária, finjo procurar nervosamente pelo preço do jornal e afavelmente digo-lhe sempre “ ora…isto é... 90 cêntimos…está aqui, olhe. Pois então só me deve 10 cêntimos”. Nessa altura, a moeda já se estende na mão vivida do Sr. Viegas para calmamente me dar o troco. Tanto eu como ele sabemos o preço do jornal, mas já faz parte do ritual a incógnita do preço, o troco, o boa tarde, o até amanhã.
É um personagem no mais bonito sentido da palavra, claro. O bigode que contorna o lábio superior, finamente desenhado e, presumo eu, diariamente aparado, lembra-nos aqueles senhores educados de outros tempos, aqueles seres que perguntam “a menina dança?”. Mantém o seu cabelo cuidadosamente penteado para trás, como manda a moda de há muitos anos, contudo um pouco comprido demais de acordo com os ditames da época que eu lhe atribuo. Aí, o gentleman do bairro dá um ar mais rebelde, menos certinho, que só faz com que apreciemos mais a figura. Para isso contribui também o seu colete com muitos bolsos, cheios de coisas que todos os dias deve vestir como que o seu uniforme de trabalho. Farense como é, possui aquele sotaque que só quem conhece pode compreender. O sotaque farense (e também dos arredores, Olhão, Quarteira, etc..) é pródigo em brutalidade. As frases são arrematadas com violência e exaltação, as perguntas parecem exclamações e as exclamações parecem perguntas retóricas. Quem por aqui passar desprevenido, pensará que são todos arrogantes, brutos, como que filhos únicos mimados para quem o mundo existe só para eles. Nada disso. É só forma, o conteúdo é igual ao de qualquer outro lusitano.
O bairro conhece-o, eu conheço-o, e no fundo nada sei sobre ele, sobre o que pensa, sobre quem é. Hoje decidi ficar e explorar. Confesso que os meus afazeres deram-me pouca vontade de sair dali e portanto segui o ritual como manda o protocolo, e quando veio a pergunta da actualidade, respondi, e fiquei. O próprio Sr. Viegas por dois ou três segundos deixou de olhar para a sua banca, olhou para mim, eu senti que ele não estava à espera do meu troco. Ele percebeu que eu ia ficar, respondeu, eu retorqui, ele esgrimiu uns argumentos, eu concordei em parte, ele não concordou com essa parte, veio um dos seu outros clientes diários – à procura do novo vinho tinto da revista de vinhos – ficou, conversámos, fomos ver que vinho era.
- Estremadura? Hum…Eu gosto mais dos alentejanos - disse já um outro comparsa que entretanto tinha se tinha juntado à conversa.
- Olhe que isto é bom! Acha que eles iam vender vinhos maus? - defendeu-se o Sr. Viegas um bocadinho ofendido com a afirmação feita num sotaque farense perfeito.
A conversa ainda foi para o grau, a casta, a quinta , o preço, a embalagem, o tempo.
Foi aí que tive um dos mais bonitos e prazenteiros momentos dos últimos tempos da minha vida. Dei por mim dentro de um desarrumado quiosque, com três reformados, a falar de política e vinhos. Os ponteiros do relógio nunca param e eu tinha que ir.
- Boa tarde, até amanhã. - disse eu escapulindo-me pelo meio das cascatas de jornais penduradas no alpendre.
- Até amanhã! - Exclamaram os meus novos amigos.
Ainda mantenho o sorriso de prazer com que de lá saí.

segunda-feira, agosto 06, 2007

sábado, julho 07, 2007

"Estou mais maduro!!!"


Antes | Depois

Masterpiece


Sobre o filme não me apetece escrever muito. Aliás, não me apetece escrever nada. Lembrei-me deste filme porque o revi, talvez pela quarta ou quinta vez, ontem, na televisão. “American Splendor” é simplesmente genial. Uma daquelas obras de arte cinematográficas que me enchem as medidas. Os actores, o guião, a História, a música, tudo muito, muito bom.

Quem ainda não o viu, corra já para um clube de vídeo.




Harvey Pekar: I felt more alone that week than any. Sometimes I'd feel a body lying next to me like an amputee feels a phantom limb. All I did was think about Jennie Gerhardt and Alice Quinn and all the decades of people I had known. The more I thought, the more I felt like crying. Life seemed so sweet and so sad, and so hard to let go of in the end. But hey, man, every day is a brand new deal, right? Just keep on working and something's bound to turn up.

sexta-feira, julho 06, 2007

Atahualpa Yupanqui II

canción para pablo neruda





Pablo nuestro que estás en tu Chile,
Viento en el viento.
Cósmica voz de caracol antiguo.
Nosotros te decimos,
Gracias por la ternura que nos diste.
Por las golondrinas que vuelan con tus versos.
De barca a barca. De rama a rama.
De silencio a silencio.
El amor de los hombres repite tus poemas.
En cada calabozo de América
un muchacho recuerda tus poemas.
Pablo nuestro que estás en tu Chile.
Todo el paisaje custodia tu sueño de gigante.
La humedad de la planta y la roca
allá en el sur.
La arena desmenuzada, Vicuña adentro,
en el desierto.
Y allá arriba, el salitre, las gaviotas y el mar.
Pablo nuestro que estás en tu Chile.
Gracias, par la ternura que nos diste.

Atahualpa Yupanqui

Preguntitas sobre diós











Un día yo pregunté:
Abuelo, dónde está Dios.
Mi abuelo se puso triste,
y nada me respondió.

Mi abuelo murió en los campos,
sin rezo ni confesión.
Y lo enterraron los indios,
flauta de caña y tambor.

Al tiempo yo pregunté:
¿Padre, qué sabes de Dios?
Mi padre se puso serio
y nada me respondió.
Mi padre murió en la mina
sin doctor ni protección.
¡Color de sangre minera
tiene el oro del patrón!

Mi hermano vive en los montes
y no conoce una flor.
Sudor, malaria, serpientes,
la vida del leñador.

Y que nadie le pregunte
si sabe donde está Dios.
Por su casa no ha pasado
tan importante señor.

Yo canto par los caminos,
y cuando estoy en prisión
oigo las voces del pueblo
que canto mejor que yo.

Hay un asunto en la tierra
más importante que Dios.

Y es que nadie escupa sangre
pa que otro viva mejor.

¿Que Dios vela por los pobres?
Talvez sí, y talvez no.
Pero es seguro que almuerza
en la mesa del patrón.