sábado, junho 24, 2006

Cool-tura para o povo XII

Este poema mais não é do que a letra de uma música muito boa (“Contamíname”). O autor, um senhor nascido em Güimar, ilha de Tenerife, em 1966, é um dos mais conhecidos "cantautores" espanhóis. Esta música foi integrada no seu primeiro álbum a solo, “Golosinas”, editado em 1995.
Tentem arranjar a música porque vale a pena, é daquelas que fica no ouvido.
Para saber mais sobre o autor, vejam aqui.


Contamíname

Cuéntame el cuento del árbol dátil
de los desiertos,
de las mezquitas de tus abuelos
dame los ritmos de las darbukas
y los secretos
que hay en los libros que yo no leo...

Contamíname, pero no con el humo
que asfixia el aire
ven, pero sí con tus ojos y con tus bailes
ven, pero no con la rabia
en los malos sueños
ven, pero sí con los labios
que anuncian besos.

Contamíname, mézclate conmigo
que bajo mi rama tendrás abrigo,
contamíname, mézclate conmigo
que bajo mi rama tendrás abrigo.

Cuéntame el cuento
de las cadenas que te trajeron,
de los tratados y los viajeros
dame los ritmos de los tambores
y los voceros
del barrio antiguo y del barrio nuevo...

Cuéntame el cuentode los que nunca se descubrieron
del río verde y de los boleros
dame los ritmos de los bouzukis,
los ojos negros
la danza inquieta del hechicero.

quinta-feira, junho 22, 2006

Monty Python - International Philosophy

Gentilmente dado a conhecer por Lugar Comum.

1. Só na Filosofia é que o Sócrates “marca golos”.
2. Os Gato Fedorento fizeram, numa das suas séries, um sketch igual a este (mas de muito pior qualidade). Os separadores da série (quando esta passava na SIC Radical) eram muito parecidos com os da série Monty Phyton (há bem pouco tempo revi-a na RTP memória). Isto não começa a soar a plágio?

quinta-feira, junho 08, 2006

Eu tentei

Era só para avisar que hoje, seguindo a moda nacional, tentei entrar para o Guinness.
Não consegui.

domingo, junho 04, 2006

Cool-tura para o Povo XI

"Lavagem Cerebral"

Racismo preconceito e discriminação em geralÉ uma burrice coletiva sem explicação Afinal que justificativa você me dá para um povo que precisa de união Mas demonstra claramenteInfelizmente Preconceitos mil De naturezas diferentes Mostrando que essa gente Essa gente do Brasil é muito burra E não enxerga um palmo à sua frente Porque se fosse inteligente esse povo já teria agido de forma mais consciente Eliminando da mente todo o preconceito E não agindo com a burrice estampada no peito A "elite" que devia dar um bom exemplo É a primeira a demonstrar esse tipo de sentimento Num complexo de superioridade infantil Ou justificando um sistema de relação servil E o povão vai como um bundão na onda do racismo e da discriminação Não tem a união e não vê a solução da questão Que por incrível que pareça está em nossas mãos Só precisamos de uma reformulação geral Uma espécie de lavagem cerebral Não seja um imbecil Não seja um Paulo Francis Não se importe com a origem ou a cor do seu semelhante O quê que importa se ele é nordestino e você não? O quê que importa se ele é preto e você é branco? Aliás branco no Brasil é difícil porque no Brasil somos todos mestiços Se você discorda então olhe pra trás Olhe a nossa história Os nossos ancestrais O Brasil colonial não era igual a Portugal A raiz do meu país era multirracial Tinha índio, branco, amarelo, preto Nascemos da mistura então porque o preconceito? Barrigas cresceram O tempo passou...Nasceram os brasileiros cada um com a sua cor Uns com a pele clara outros mais escuraMas todos viemos da mesma mistura Então presta atenção nessa sua babaquice Pois como eu já disse racismo é burrice Dê a ignorância um ponto final: Faça uma lavagem cerebral
Negro e nordestino constróem seu chão Trabalhador da construção civil conhecido como peão No Brasil o mesmo negro que constrói o seu apartamento ou que lava o chão de uma delegacia É revistado e humilhado por um guarda nojento que ainda recebe o salário e o pão de cada dia graças ao negro ao nordestino e a todos nós Pagamos homens que pensam que ser humilhado não dói O preconceito é uma coisa sem sentido Tire a burrice do peito e me dê ouvidos Me responda se você discriminaria Um sujeito com a cara do PC Farias Não você não faria isso não...Você aprendeu que o preto é ladrão Muitos negros roubam mas muitos são roubados E cuidado com esse branco aí parado do seu lado Porque se ele passa fome Sabe como é: Ele rouba e mata um homem Seja você ou seja o Pelé Você e o Pelé morreriam igual Então que morra o preconceito e viva a união racial Quero ver essa musica você aprender e fazer A lavagem cerebral O racismo é burrice mas o mais burro não é o racista É o que pensa que o racismo não existe O pior cego é o que não quer ver E o racismo está dentro de você Porque o racista na verdade é um tremendo babac aQue assimila os preconceitos porque tem cabeça fraca E desde sempre não para pra pensar Nos conceitos que a sociedade insiste em lhe ensinar E de pai pra filho o racismo passa Em forma de piadas que teriam bem mais graça Se não fossem o retrato da nossa ignorância Transmitindo a discriminação desde a infância E o que as crianças aprendem brincando É nada mais nada menos do que a estupidez se propagando Qualquer tipo de racismo não se justifica Ninguém explica Precisamos da lavagem cerebral pra acabar com esse lixo que é uma herança cultural Todo mundo é racista mas não sabe a razão Então eu digo meu irmão Seja do povão ou da "elite"Não participe Pois como eu já disse racismo é burrice Como eu já disse racismo é burrice Como eu já disse racismo é burrice Como eu já disse racismo é burrice Como eu já disse racismo é burrice E se você é mais um burro Não me leve a mal É hora de fazer uma lavagem cerebral Mas isso é compromisso seu Eu nem vou me meter Quem vai lavar a sua mente não sou eu É você

Gabriel o Pensador
Álbum "Gabriel o Pensador"

sexta-feira, junho 02, 2006

Hoje, fiz-me Homem

Os mais perversos leitores pensarão de imediato que perdi a virgindade. Não é nada disso. Terei que esperar mais uns anos para que tal milagre aconteça. Também não escrevi um livro nem plantei uma árvore. Não ajudei criancinhas pobres, nem acabei o meu curso universitário. Não arranjei emprego, nem deixei de roer as unhas.

Hoje, atravessei o Bairro dos Ciganos a pé! Sozinho!

Vinte e cinco anos e meio depois de ter sido posto neste mundo, fiz-me Homem.

E porque achei que o momento merecia um toque especial, procurei na panóplia de mp3 de bolso, a música mais anúncio-de-penso-higiénico-sinto-me-bem-e-não-quero-saber-de-mais-nada, que tinha. Encontrei. Era a música mais alegre que podia haver para a circunstância: “We Are The Sleepyheads” de Belle And Sebastian. Pus os phones (este acto, só por si, é fascinante) para ignorar qualquer som circundante - por exemplo “passái o diñero, ó primo” - e segui feliz da vida.

Qualquer tom xenófobo neste texto é pura especulação. O bairro dos ciganos é contíguo ao meu (bairro dos branquinhos). Desde criança que me habituei a brincar com ciganos, e tal facto nunca me causou muito incómodo, à parte do cheiro, claro. Mas eram os ciganos que vinham brincar para a minha porta. Ir brincar para a porta dos ciganos incluía uma sova, roubo de todos os pertences e um valente raspanete ao chegar a casa.
Assim, a brincadeira sempre ficou pelo meu bairro.

Mas hoje, não há fronteiras. Eu uni os dois povos: o EU e o Eles.